6 golpes financeiros que enganaram milhares de investidores

Conheça as fraudes de pirâmides que se tornaram famosas no Brasil e no mundo e saiba o que aprender

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Confira a lista

Ponzi e os cupons postais (1920)

O ítalo-americano Charles Ponzi prometia rentabilidade de 50% em apenas 45 dias. O negócio teoricamente consistia na compra de cupons postais de outros países, trocados por selos nos EUA a um preço mais caro. O boca a boca alimentou o topo da pirâmide e por um bom tempo Ponzi remunerou os investidores antigos com o dinheiro dos que entravam no esquema. 

Quando o esquema entrou em colapso, descobriu-se que 160 milhões de cupons postais eram necessários para sustentar as margens que seduziam os investidores. Mas só existiam 27.000 no mercado. Condenado a prisão, Ponzi posteriormente mudou-se para o Rio de Janeiro, onde morreu pobre em 1949. Seu nome carimbou o golpe de pirâmide, mundialmente conhecido como esquema de Ponzi.

Fazendas Boi Gordo (2001)

No mais conhecido caso de pirâmide financeira do Brasil, 30.000 investidores perderam quase 4 bilhões de reais. Seduzidos pela oportunidade de embolsar um lucro mínimo de 42% no prazo de um ano e meio, eles aplicaram suas economias nas Fazendas Reunidas Boi Gordo. A empresa chegou ao mercado em 1988, mas só começou a vender os chamados contratos de investimento coletivo (CICs) nos anos 90. A sistema se assentava na engorda de bois e criação de bezerros, mas os lucros repassados eram pagos sobretudo pela entrada de novos investidores no negócio. 

Uma década se passou até que a empresa abrisse seu capital, exigência da CVM para que as atividades continuassem sendo exercidas. Ao longo desse tempo, multiplicaram-se os interessados no esquema. A Boi Gordo investiu inclusive em anúncios apresentados pelo ator Antônio Fagundes. Poucos anos depois a situação mudaria de figura: em 2001 a empresa não tinha mais dinheiro para honrar os resgates solicitados. A falência foi decretada em 2004. 

Madoff (2009)

 

Bernard Lawrence Madoff amealhou bilhões com o maior esquema de Ponzi da história. Considerado um dos mais bem sucedidos de Nova York, Madoff administrou os recursos de 16.000 vítimas, entre figuras carimbadas do show business, tubarões do mercado financeiro, instituições financeiras e bancos - inclusive brasileiros - em um negócio que funcionou por longos 16 anos. 

O canto da sereia era a proposta de rendimento de 1% ao mês. Com a fama consolidada, novos clientes nunca deixaram de lhe bater à porta. Estima-se que os investidores tenham perdido entre 12 e 20 bilhões de dólares ao longo dos anos. Em 2009, Madoff foi condenado a 150 anos por 11 crimes, entre fraude contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e perjúrio

 

Avestruz Master (2004)

 

Fundado em Goiânia em 1998, o grupo Avestruz Master oferecia contratos de compra e venda de avestruzes com compromisso de recompra dos animais. Assim, quem investisse em uma ave com 18 meses de vida, ganharia um retorno de 10% sobre a aplicação até o mês em que a avestruz fosse readquirida pela empresa. O lucro seria assegurado pela suposta exportação da carne. Mas o negócio propriamente dito jamais chegou a ir para frente: em sete anos de operação, nenhuma ave foi abatida. Na teoria, a Avestruz Master teria comercializado mais de 600 mil animais. Na prática, só possuía 38 mil.

Apostando antes na propaganda do que nas aves em si, o grupo conquistou 40.000 investidores no Brasil, 30.000 deles só no estado de Goiás. Para engordar a base da pirâmide, foram gastos 4 milhões de reais em publicidade em 2004 - e apenas 100.000 reais em ração para as avestruzes. Quando a pirâmide ruiu em 2005, a empresa fechou as portas e seus sócios fugiram para o Paraguai. Em 2010, a Justiça Federal condenou os dois filhos e o genro do dono da Avestruz Master a indenizar os investidores em 100 milhões de reais. Jerson Maciel, controlador do grupo, morrera dois anos antes da decisão. Os acusados também receberam penas de 12 a 13 anos de prisão. A execução da indenização, contudo, só irá acontecer quando todos os recursos judiciais tiverem se esgotado. Se executada, ela não será suficiente para cobrir o prejuízo total amargado pelos investidores, estimado em 1 bilhão de reais. 

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Ficap (2010)

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Acusado de provocar um prejuízo que beira 100 milhões de reais, o mineiro Thales Emmanuelle Maioline montou seu esquema de Ponzi em BH. O produto oferecido - e comprado por 2.000 investidores - era a participação em um Fundo de Investimento Capitalizado (Ficap).

 

Como os demais golpes do tipo, o fundo prometia um retorno de 5% ao mês. Mas depois que um investidor solicitou o resgate de 3 milhões de reais em 2010, a pirâmide não conseguiu se manter. Maioline desapareceu, sendo preso em dezembro de 2017.

Agente BR (2009)


A Agente BR ofertava clubes de investimento sem registro na CVM a partir de 2006. Sediada em São Paulo, a empresa anunciava retorno mínimo de 5% ao mês com a aplicação em clubes de investimento. Com a exigência de um aporte de 10.000 reais e da apresentação de convite para participar, o investimento ganhou ares de tesouro escondido. Mas a rentabilidade prometida - e provada via site da instituição - não passava de uma armação.

 

Embora a CVM tenha divulgado um alerta ao mercado sobre a irregularidade das operações, a empresa continuou funcionando até janeiro de 2009, quando sofreu intervenção. Estima-se que cerca de 3.000 investidores tenham perdido aproximadamente 100 milhões de reais.